QUEM SOMOS?

O Museu Quilombola foi criado pela Frente Quilombola RS, organização do movimento quilombola que atua há mais de 20 anos na defesa dos territórios quilombolas no Rio Grande do Sul e no Brasil. Os quilombos que fazem parte da Frente Quilombola RS são Quilombo Silva, Quilombo Kédi, Quilombo Lemos, Quilombo Fidelix e Quilombo dos Alpes, que realizaram um inventário participativo que culminou neste acervo. O Museu Quilombola é um museu comunitário, onde seu conselho é formado por representantes dos quilombos e da Frente Quilombola. A primeira etapa do Museu está ocorrendo mediante a catalogação e documentação de objetos importantes para o contexto histórico da existência da comunidade e da ocupação do território. Os documentos do acervo demonstram uma patrimonialidade quilombola relacionada com a luta pelo direito ao território, com objetivo de superar as dificuldades burocráticas, negacionistas e racistas, no que diz respeito à salvaguarda e ao reconhecimento jurídico garantido pelo artigo 216 da Constituição Federal de 1988, que garante o tombamento constitucional dos quilombos. Com relação aos arquivos públicos relacionados ao patrimônio quilombola, há pouca representatividade desse patrimônio nos registros de bens culturais representativos da cultura brasileira, que são determinados por critérios eurocentrados (Pereira, 2020, p.173). A trajetória da criação deste acervo remonta ao ano de 2016, em um seminário da Frente Quilombola realizado no Quilombo da Família Silva, onde se debateu a importância da preservação dos documentos históricos dos quilombolas diante a longa espera pelos processos de regularização fundiária que ameaçam os territórios. Neste sentido, foram criadas iniciativas para registro e salvaguarda de documentos, fotos e vídeos que pudessem contribuir para a preservação do patrimônio quilombola.
A potência do acervo se constitui no inventário participativo que foi realizado a partir do projeto Museu Quilombola, financiado pela Lei Paulo Gustavo 2023, através do edital Memória e Patrimônio da Secretaria de Cultura do Estado do Rio Grande do Sul. Neste sentido, o acervo preserva fotografias, documentos, publicações e vídeos como depoimentos dos quilombolas, que participaram do processo de pesquisa e registro dessa documentação. Conforme a portaria 135/2023 do IPHAN, a participação da comunidade na definição dos seus patrimônios é essencial para a efetivação dos processos de tombamento.